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Karol Conká: uma imagem de marca destruída?

Antes de iniciar o texto, queremos deixar claro que esta não é uma análise moral da pessoa, Karol Conká, mas sim uma visão sobre a sua marca.

 

Em menos de 10 dias que o Big Brother Brasil tinha estreado, uma participante se destacou e ganhou os holofotes do público e imprensa. Karol Conká com certeza será uma das participantes inesquecíveis. Pena que de forma negativa.

Mesmo quem não é fã do programa, pode tirar uma grande lição de todo esse bololo que está acontecendo. Vamos explicar o porquê.

Com os episódios de discussão e conspiração da Karol contra outros participantes, como Lucas e Juliette, o público se surpreendeu com o que viu. As atitudes da participante foram classificadas como tóxicas, preconceituosas, segregadoras, ofensivas e vários outros adjetivos negativos.

Não somente o público do programa, mas o mundo das celebridades também reagiu aos acontecimentos. Colegas de trabalho de Karol se manifestaram desaprovando o comportamento da rapper.

Em pouco tempo, o nome Karol Conká passou a ser algo tão negativo a ponto de virar piada – pessoas e marcas que possuem a letra K no nome não queriam mais ser relacionadas a isso, exemplo foi um post da Skol (rapidamente deletado), em que trocava a letra K por C, virando “Scol Concê”.

A canção “Tombei” da artista, está sendo usada para debochar da própria autora. O trecho “já que é pra tombar” se transformou em mais uma piada com o nome de Karol, que agora é chamada de “Jaque Patombá”. Claro, sendo o “tombar” referência a um péssimo sentido.

O prejuízo da marca

De acordo com um levantamento encomendado pela Forbes, com duas semanas de programa, a marca Karol Conká beirava o prejuízo de R$5 milhões em contratos e apresentações. Isso, considerando que a carreira seja reerguida em seis meses.

Logo de início, parceiros de trabalho de Karol começaram a romper relações e fãs deixaram de admirar.

  • O festival de música online, REC-beat, cancelou a exibição do show da Karol Conká, pré-gravado para o evento;
  • O canal GNT adiou a estreia de um programa em que Karol apresenta, que seria exibido na TV neste mês. O material, lançado em outubro no YouTube, continua disponível somente na plataforma;
  • Um fã-clube, que administrava uma das maiores páginas nas redes sociais dedicadas à cantora, retiraram o apoio e excluíram a conta;
  • Até agora, o perfil da artista no Instagram já perdeu mais de 400 mil seguidores. Inclusive, há uma live no YouTube que mostra em tempo real a diminuição dos seguidores da conta dela.

Marcas patrocinadoras do BBB – que desembolsaram até R$78 milhões nas cotas – também foram indagadas pelo público. As pessoas queriam saber se elas compactuavam com os comportamentos que estávamos vendo no programa.

Algumas responderam afirmando que não apoiam, mas que o programa é um jogo de relações humanas e coisas assim podem acontecer. Ainda, disseram que, ao expor essas situações, retratos da sociedade, o programa abre um canal para o diálogo e aprendizado.

Bem, se estão corretas ou não, não vem ao caso neste momento.

Uma imagem de marca manchada

Karol Conká é uma mulher que era vista como empoderada, defensora da igualdade e do respeito, guerreira. No entanto, dentro do programa, ela se mostrou totalmente contrário à essa imagem que o público tinha dela.

Quando paramos para observar a carreira da Karol, percebemos nitidamente que havia um trabalho impecável de posicionamento. As músicas, o visual, a comunicação e parcerias, tudo era coerente com a mensagem principal que ela queria passar: empoderamento e respeito.

Porém, Karol não conseguiu sustentar esse padrão dentro do jogo.

A incoerência entre o que a Karol representava perante o público e o que ela mostrou foi muito grande. Chocante, talvez.

Podemos fazer uma comparação dela com a campeão de outro reality, a Jojo Todynho.

Jojo tinha aqui fora uma imagem de barraqueira e agressiva, regado a humor. Então, quando em uma discussão no programa Jojo recita “se quer paz, amém, se quer guerra, tu me fala” e, em seguida, destrói uma garrafa com uma colher de pau, o público não se surpreendeu. Pois, não era incoerente com o que esperávamos dela. Algo bem diferente de como foi com a Karol.

A autenticidade que a Karol Conká tinha como ponto forte da sua imagem se transformou em arrogância. Todo o trabalho de marca pessoal, construído por anos e o objetivo de potencializar a sua popularidade com o programa foram por água abaixo.

A crise de imagem que ela conquistou será um desafio para superar – sem falarmos no psicológico que será exigido quando ela se deparar com estrago aqui fora.

A carreira está destruída?

Se Karol quiser seguir com sua carreira, um trabalho de rebranding terá que ser feito de forma muito bem pensada. Será um trabalho árduo, mas não impossível.

A tendência é que veremos uma Karol reconhecendo seus erros, assumindo suas responsabilidades e com um visual menos chamativo e uma postura humilde. Quem sabe, até mesmo, um novo trabalho, pautado no aprendizado e na nova pessoa que ela será?

Para que isso dê certo, precisa-se de duas coisas: dar tempo ao tempo e ser verdadeiro.

A imagem dela precisa sair dos holofotes por um tempo, que ela pode aproveitar para realmente aprender com seus erros e adotar uma nova postura. Assim, a mudança de Karol Conká, sendo verdadeira, sem a soberba que estamos vendo no programa, o mesmo público que a cancelou irá perceber e irá perdoa-la.

A lição que podemos tirar de toda essa história é que gerir a imagem de uma marca não é algo apenas visual. Atitudes e falas, mesmo que na vida pessoal, também precisam ser geridos.

Mais importante ainda, sempre lembrarmos que tudo que é da boca pra fora, uma hora não se sustenta mais. Um posicionamento impecável cai por terra às vezes somente por uma frase de alguém associado à marca.

Hoje, a não ser que haja uma enorme reviravolta, Karol Conká será eliminada do BBB pelo público e ela tem que agradecer por isso. Quanto mais tempo ficar em exposição, o dano na marca só aumentará.

A nós, cabe não adotarmos a cultura do cancelamento – ela nos provou como isso é uma atitude danosa – e desejar o melhor à Karol Conká. Também, pensarmos bem se o “como somos” é coerente com “o que falamos/divulgamos”.

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